Por Leila Brito, gestora do Núcleo de Desenvolvimento Estratégico, Assistencial e Inovação da Fundação José Silveira

A sustentabilidade tem se estabelecido como um novo modelo de pensamento, comportamento e operação para as organizações. Com a compreensão de que a economia está inserida na sociedade, que por sua vez faz parte do meio ambiente, surge a necessidade de uma abordagem que envolva a criação de culturas organizacionais alinhadas com estratégias sustentáveis, numa perspectiva integrada, buscando agregar e otimizar as três dimensões.

As práticas ESG (Ambiental, Social e Governança – em português) se tornam essenciais para empresas que buscam criar um ambiente sustentável. Essa ferramenta, que se apoia em parâmetros estabelecidos pelas chamadas “métricas ESG”, fornece metas mensuráveis e transparentes, permitindo que as organizações reajam efetivamente a um futuro incerto.

À medida que a sociedade passa por uma mudança geracional, percebe-se uma crescente relevância da economia baseada em valores. Os consumidores estão mais conscientes e buscam produtos mais éticos e sustentáveis; os colaboradores também desejam trabalhar para empresas alinhadas com esses valores. A aquisição, retenção e atração de talentos estão diretamente relacionadas à forma como uma empresa se posiciona em relação à sustentabilidade, nas dimensões econômica, social e ambiental com olhar ampliado para cadeia de suprimentos.

A Sustentabilidade também é tração para a Inovação, reconhecendo que nela existe uma gama de oportunidades, além de experimentar novos processos que observem a necessidade de redução de desperdícios. Precisamos contar com a inovação como suporte e alavanca da sustentabilidade, desenhar novos processos e perseguir uma nova maneira de fazer as coisas, de produzir bens e serviços.

Normalmente não é fácil, mas é possível. As barreiras surgem devido à dissociação cognitiva, que soma a resistência ao medo do novo. Superar essas barreiras é fundamental para o engajamento efetivo nas práticas ESG, levando o conhecimento dos impactos e resultados para todas as partes interessadas.

Políticas, práticas e métricas ESG estão sendo padronizadas e validadas, tornando esse caminho uma realidade para a sustentabilidade corporativa. As organizações devem ter clareza em suas práticas de governança, implementando e revisando constantemente as métricas ESG, que passarão a ser uma necessária realidade no cotidiano das empresas.

A atuação das instituições financeiras no estímulo das agendas de sustentabilidade é uma grande tendência para futuro destas práticas sustentáveis. A legislação europeia já exige que tais entidades relatem os impactos adversos nas áreas ambiental e social. A partir de 2024, as empresas também terão essa obrigatoriedade. Os bancos devem fornecer evidências quantificáveis do alinhamento entre as atividades que financiam e aquelas consideradas sustentáveis, de acordo com a taxonomia definida pela União Europeia.

Enfim, a sustentabilidade se manifesta como um novo modelo para a operação das organizações, envolvendo a incorporação de princípios e práticas sustentáveis em sua visão, estratégia de gestão, finanças e em todos os seus processos. Além de criar valor para todas as partes envolvidas: clientes, colaboradores e cadeia de suprimentos; a sustentabilidade serve como fonte de inspiração para a criação de novos serviços e produtos alinhados com princípios sustentáveis. Ao implementar práticas sustentáveis podemos reduzir custos operacionais e otimizar o uso dos recursos naturais, reconhecendo que são finitos, e isso envolve práticas que promovam a redução do desperdício e que façam a transição para uma gestão de recursos mais sustentável. No enfrentamento dos desafios futuros, as organizações devem perseverar no caminho da sustentabilidade, engajando colaboradores e todas as partes envolvidas para garantir um futuro sustentável para todos.

Esse caminho não tem volta!