Contexto:

O tabagismo e a tuberculose são problemas de saúde pública significativos em todo o mundo que, quando combinados, agem como uma epidemia sinérgica ou “sindemia”. A fumaça do tabaco causa alterações fisiopatológicas no sistema respiratório e inibe mediadores da imunidade inata, o que pode contribuir para desfechos desfavoráveis no tratamento da tuberculose. Embora tenha sido proposto que o tabagismo aumenta o risco de falha no tratamento, o impacto de potenciais fatores de confusão, como consumo de álcool, pobreza e gênero, permanece incerto.

Resumo:

Objetivo: Determinar a associação entre o tabagismo e a falha no tratamento da tuberculose pulmonar.

Métodos: Estudo de caso-controle realizado no Instituto Brasileiro para Investigação da Tuberculose em Salvador, Brasil, entre 2007 e 2015. Foram avaliados 284 pacientes, comparando 50 casos de falha no tratamento com 234 casos controle em que o desfecho final foi a cura.

Resultados: A falha no tratamento foi atribuída ao tabagismo e à idade, em vez de outros fatores como gênero, renda ou consumo de álcool. Após ajuste por idade, o risco de falha no tratamento foi 2,1 vezes maior (IC 95%: 1,1-4,1) entre os pacientes com histórico de tabagismo. Além disso, ter mais de 50 anos aumentou a probabilidade de falha no tratamento em 2,8 vezes (IC 95%: 1,4-6,0).

Conclusão: Tanto o tabagismo quanto o envelhecimento estão significativamente associados à falha no tratamento da tuberculose pulmonar. Programas de controle da TB devem oferecer estratégias para a cessação do tabagismo e dedicar maior cuidado aos pacientes idosos.

Palavras-chave: Transtorno por uso de tabaco; Tuberculose; Falha de tratamento.

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  • Data de Publicação: 05/01/2019
  • Autores: Juan Pablo Aguilar1,a, María B Arriaga2,3,b, Monica Ninet Rodas1,c, Eduardo Martins Netto1,3,4,d
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