Contexto:
A tuberculose (TB) é uma doença inflamatória crônica com apresentações clínicas muito diversas. Embora cause enorme morbidade mundial, os determinantes da heterogeneidade da doença e da mortalidade — que é maior na Índia do que na China — permanecem amplamente desconhecidos. Este estudo teve como objetivo comparar a perturbação inflamatória sistêmica em nível molecular entre pacientes com TB nesses dois países de alta carga.
Resumo:
Métodos: Foi realizado um estudo transversal analisando pacientes com TB pulmonar virgens de tratamento e controles saudáveis da Índia ($n=97$ TB; $n=20$ saudáveis) e da China ($n=100$ TB; $n=11$ saudáveis). Utilizamos o método de Grau de Perturbação Molecular (MDP) para examinar as alterações globais em 15 biomarcadores plasmáticos (proteínas e mediadores lipídicos).
Resultados: A infecção por M. tuberculosis causou uma perturbação molecular significativa em ambos os países, mas o grau geral foi 3,7 vezes maior nos pacientes indianos em comparação aos chineses ($p < 0,0001$). Essa maior perturbação na Índia foi independente de fatores clínicos como idade, sexo ou gravidade da doença. Análises de rede identificaram IFN-$\alpha$, IFN-$\beta$, sIL-1RI e TNF-$\alpha$ como os principais biomarcadores combinados responsáveis pela perturbação molecular na população do estudo.
Conclusão: Os perfis inflamatórios sistêmicos na TB são significativamente influenciados pela região geográfica. Essas diferenças qualitativas no “estresse” inflamatório podem refletir interações hospedeiro-patógeno distintas e podem impactar as estratégias de diagnóstico e tratamento.
Palavras-chave: tuberculose; grau de perturbação molecular; biomarcadores; inflamação sistêmica; epidemiologa.
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- Data de Publicação: 29/05/2019
- Autores: DeivideOliveira-de-Souza1,2,3, Caian L.Vinhaes1,2,3, MariaB.Arriaga1,2, NathellaPavanKumar4 , Juan M. Cubillos-Angulo1,2, Ruiru Shi5, WangWei5, XingYuan5, Guolong Zhang6, Ying Cai7, Clifton E. Barry III7, Laura E.Via7, Alan Sher8, Subash Babu4, Katrin D. Mayer-Barber 7, Helder I. Nakaya 9, Kiyoshi F. Fukutani 1,2,3 & Bruno B.Andrade 1,2,3,10,11