Contexto:
A alta carga de tuberculose (TB) resistente a medicamentos representa um obstáculo para alcançar as metas da Estratégia End TB até 2035. Ainda não está claro se a monorresistência à isoniazida (Hr) afeta os desfechos do tratamento antituberculose (TAT) em países com alta carga da doença.

Métodos:
Avaliamos os determinantes do desfecho do TAT em casos de TB pulmonar registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) entre junho de 2015 e junho de 2019, de acordo com os resultados dos testes de sensibilidade a drogas (TSD). Modelos de regressão logística binomial foram utilizados para avaliar se a Hr estava associada a desfechos desfavoráveis do TAT (morte ou falha) em comparação com cura ou conclusão do tratamento.

Resultados:
Entre os 60.804 casos de TB registrados no SINAN, 21.197 (34,9%) foram incluídos no estudo. A frequência de desfechos desfavoráveis foi significativamente maior nos casos com Hr em comparação com pessoas sensíveis à isoniazida com TB pulmonar (9,1% contra 3,05%; P < 0,001). Usando um modelo de regressão logística binomial, a Hr foi independentemente associada a desfechos desfavoráveis (razão de chances, 3,34 [intervalo de confiança de 95%, 2,06–5,40]; P < 0,001).

Conclusões:
A Hr detectada antes do TAT foi preditiva de desfechos desfavoráveis em nível nacional no Brasil. Nossos dados reforçam a necessidade dos países com alta carga de TB priorizarem os testes de sensibilidade a drogas para detectar Hr. Regimes de tratamento eficazes para TB com Hr são necessários para melhorar os desfechos.

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  • Data de Publicação: 08/01/2024
  • Autores: Mariana Araújo-Pereira, María B. Arriaga, Anna Cristina C. Carvalho, Renata Spener-Gomes, Carolina A. S. Schmaltz, Betânia M. F. Nogueira, Marina C. Figueiredo, Megan M. Turner, Marcelo Cordeiro-Santos e Valeria C. Rolla
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