A Palavra de José

  • Editora: Academias de letras e de Medicina da Bahia – Salvador- Bahia
  • Publicação: 1978
  • Autor: Prof. José Silveira

Comentavam os que tiveram a ventura de ouvi-lo, que o meu Pai era dotado de grandes qualidades oratórias. Toda a infância passei sob o influxo do meu Tio materno, Padre José Gomes Loureiro, reconhecidamente um dos melhores oradores sacros do seu tempo.

Comecei a falar de público com imensa timidez. E, ainda hoje, é com o maior temor, que enfrento as plateias. Não, que a palavra me seja difícil. Meu grande receio é que não sendo justa e oportuna, possa externar pensamentos inadequados e vulgares, ou chegar a trair o que desejaria dizer. Não sou, nem nunca fui, assim, um homem do peço a palavra. Todas as orações que proferi, foram solicitadas ou mesmo impostas pelas circunstâncias da praxe, sob o imperativo da cortesia ou do protocolo.

Como baiano, no entanto, que disso faz praça e se orgulha, frequentemente me apanharam para discursar, na crença ou sob pretexto – mistura de admiração e ironia – de que todos os que aqui nascemos falamos bem, com apuro e elegância. Por isso, apesar das minhas constantes resistências, discursei muito, aqui e acolá, aquém e além-mar. Ora, por escrito, devidamente preparado; ora de improviso, designado no dia, na hora, no momento

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