Contexto:

Em março de 2010, o Ministério da Saúde do Brasil atualizou suas diretrizes de tratamento da tuberculose (TB), alterando o esquema padrão da fase intensiva de três drogas (rifampicina, isoniazida e pirazinamida – RHZ) para uma combinação de dose fixa de quatro drogas (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol – RHZE-FDC). Essa mudança visava conter o aumento da resistência primária à isoniazida e simplificar a dispensa de medicamentos. No entanto, a adição do etambutol a um esquema terapêutico já complexo gerou preocupações quanto ao potencial aumento de reações adversas a medicamentos (RAMs).

Resumo:

Métodos: Foi realizado um estudo de coorte retrospectivo utilizando dados de 730 pacientes com TB selecionados aleatoriamente (365 por grupo), tratados em um centro de referência em Salvador, Brasil, entre 2007 e 2014. O estudo comparou a frequência de RAMs e as taxas de cura entre os esquemas RHZ (pré-2010) e RHZE-FDC (pós-2010).

Resultados: Pacientes tratados com o esquema RHZE desenvolveram RAMs com frequência significativamente maior do que aqueles com o esquema RHZ (23,6% vs. 15,1%; $p = 0,01$). A análise multivariada confirmou que o esquema RHZE-FDC foi associado independentemente a um aumento de 1,61 vezes no risco de RAMs. Esse risco foi particularmente pronunciado em pacientes com mais de 30 anos de idade ($p = 0,01$). As RAMs mais comuns foram gastrointestinais e neurológicas. As taxas de cura foram semelhantes entre ambos os grupos de tratamento.

Conclusão: A implementação do esquema de quatro drogas RHZE-FDC no Brasil aumentou a incidência de reações adversas sem alterar significativamente as taxas de cura. Esses achados ressaltam a necessidade de monitoramento clínico cuidadoso, especialmente para pacientes acima de 30 anos.

Palavras-chave: Tuberculose; reações adversas a medicamentos; etambutol; combinação de dose fixa; resultado do tratamento; Brasi

 

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  • Data de Publicação: 26/12/2019
  • Autores: Marı ́a B. ArriagaID1,2,3,4*, Ninfa M. C. TorresID1,5, Nelia C. N. Araujo1,2, Simone C. C. Caldas2 , Bruno B. AndradeID2,3,4,6,7,8*, Eduardo M. Netto1,2
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